segunda-feira, 1 de junho de 2020

A corrida me ajudou a reduzir as minhas estereotipias

Eu tenho uma estereotipia na mão esquerda, em que ela deixa meus dedos completamente estáticos e tortos. Antes de saber que eu era autista, eu mostrava minha mão para minha mãe e comentava com ela. Eu não sabia se  eram os medicamentos que eu tomo que não faziam isso. Mesmo com a intervenção médica, minha mão esquerda continuava torta e estática. 
A maior parte das minhas estereotipias estão na minha mão esquerda. Elas surgem em momentos de estresse ou de sobrecarga sensorial. Raramente, a mão direita tem estereotipia, mas ela tem. 
Comecei a correr em fevereiro deste ano, depois de cinco anos parada. E eu voltei a correr neste ano, alcançando os 5 km. Em março, parei de correr, devido à pandemia de COVID-19. E neste período que fiquei sem correr, eu fiz exercícios funcionais que a minha assessoria de corrida mandou. Fiquei de março até maio, realizando os exercícios cardiovasculares, todos os dias, alternando com os exercícios de fortalecimento. Até que chegou a esteira e voltei a correr. 
O que aconteceu foi quase que um milagre: a estereotipia da mão esquerda sumiu. Eu não tenho mais ela. A prática dos exercícios funcionais facilitou a diminuição ou até mesmo a supressão da estereotipia. Isso é muito positivo, pois a estereotipia me incomodava muito. 
Existem explicações científicas para isso. A partir da leitura que eu fiz de vários estudos, está comprovado que a adoção de atividades físicas traz uma gama de benefícios para os autistas, como por exemplo, a redução de estereotipias, a redução da agressividade, melhoria da comunicação, maior sensibilidade sensorial, entre outros. 
A minha estereotipia era incômoda e eu até comentei com minha mãe que ela simplesmente sumiu. Depois que eu comecei a ter uma rotina de exercícios físicos, boa parte das minhas estereotipias foram suprimidas. 
O exercício físico ajuda muito a diminuir ou até suprimir com algumas das estereotipias. Eu mesma tive essa experiência. Qualquer exercício é válido: uma caminhada, uma corrida, um alongamento, tudo é válido para melhorar nossa estimulação nervosa. O importante é que a gente se mexa. 


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Chegou minha esteira... voltei a correr!


Fiquei dois meses fazendo exercícios funcionais durante a quarentena. Não quis sair para correr, eu não quis me arriscar e ser contaminada pelo vírus. Eu respeitei o isolamento social, eu saio somente quando é essencial. Não quis também levar o vírus para os meus pais, que são pacientes de risco. Preferi ficar em casa, realizei diariamente os exercícios funcionais.
Eu havia assinado com uma assessoria de corrida, que me passa uma planilha semanal de exercícios cardiovasculares e de fortalecimento. Nos dias pares, eu fazia os exercícios cardiovasculares e, nos ímpares, os de fortalecimento. Passei 60 dias, religiosamente, seguindo as orientações da assessoria. 
Com isso, emagreci dois quilos e fiquei com um corpo bastante definido. Ainda preciso emagrecer mais, só que o trabalho vai sendo construído. Senti mudanças também na minha força motriz, fiquei menos desastrada e mais ágil. A minha comunicação verbal também melhorou bastante, embora eu sinta que a escrita é melhor que a minha fala. São coisas muito caras para o autista e eu tenho sentido melhorias na minha psicomotricidade. 
O exercício físico auxilia para o autista em seu desenvolvimento cognitivo. Foram verificadas em crianças o aumento significativo nos níveis de aptidão (equilíbrio, flexibilidade, resistência, força). Sem contar também nos níveis de interação social, em que foram reduzidos o comportamento estereotipado e os níveis de agressão. Nos adultos, acredito que os níveis 
Depois de 60 dias, decidi comprar uma esteira para o meu pai de presente de aniversário. Ele tem 82 anos e ele ainda faz exercícios físicos. Comprei uma para que a família toda pudesse utilizar. E desde então, eu voltei a correr. Não é a mesma coisa de correr na rua, mas estou voltando a ter condicionamento físico.
Então, na mesma semana que a esteira chegou, consegui correr vinte minutos. Na semana seguinte, voltei a marcar 5 km. E nesta semana agora, corri 6 km. Neste momento, não estou preocupada com o pace (quantidade de minutos que se faz para concluir um quilômetro), mas sim em estar habituada com a corrida.
Meu calendário está dessa forma: segunda, quarta e sexta, eu corro na esteira. Terça e quinta, faço exercícios de fortalecimento. No domingo, faço alongamento. 
Semana que vem, vou buscar a melhorar meu tempo de corrida. A assessoria de corrida me mandou uma planilha para cumprir esse objetivo.  E assim, vou progredindo no meu hiperfoco.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Como eu cheguei aos 5 km depois de quatro anos parada

O título do blog é bem claro: quem corre descobriu ser autista aos 38 anos e teve que ter seu tratamento médico completamente redefinido, em razão do diagnóstico. A abordagem na minha casa precisou ser mudada, agora o pessoal compreendeu algumas situações do meu comportamento, como a ausência de filtros ao falar sobre determinados assuntos e a atenção em algumas situações. O objetivo deste blog é auxiliar os autistas a buscar o exercício físico como um meio de equilibrar suas dificuldades. E, como eu sou autista, a corrida virou para mim uma válvula de escape.
Sem contar que a corrida virou meu hiperfoco, um assunto favorito. Minha terapeuta pediu que eu fizesse algum exercício físico no início deste ano, para que a minha saúde mental melhorasse. Para isso, sugeriu que eu entrasse na academia e começasse as atividades físicas pelo menos no horário do almoço. Acatei a sugestão, porque realmente eu estava muito sedentária. Antes, eu andava rápido e minhas passadas ultrapassavam as pessoas em geral. Hoje, eu sou ultrapassada.
Matriculei-me na academia em fevereiro e comecei a fazer as atividades na esteira. Eu fiquei muito cansada! Quatro anos de inatividade custaram o meu condicionamento físico. Fiz apenas 30 minutos andando. Antes, eu fazia uma hora brincando na esteira. Porém, eu não desisto e, no dia seguinte, eu comecei a correr pelo menos cinco minutos na esteira. No outro dia, andei uns quarenta minutos, sendo que eu corri cinco e mais cinco minutos, totalizando dez. Decidi voltar a correr, uma atividade que eu adoro fazer.
Também comecei a tirar dúvidas de corrida com meu colega e amigo Marcão, que trabalha comigo. Ele é maratonista e um corredor bem preparado, sabendo de todas as dicas de tênis, exercícios e conselhos valiosos que me ajudaram a alcançar 5km em menos de um mês, que eu entrei na academia. Uma das coisas que ele me fala é que o melhor lugar para se exercitar é na rua, porque você se conhece melhor e começa a melhorar os seus índices. E isso é verdade: há uma diferença gigantesca de você treinar na esteira e na rua. 
Com as instruções do Marcão, eu corria na esteira e conseguia alcançar os 5km. Aos poucos, eu aumentava a velocidade. Já alcancei 37 minutos na esteira; na rua, consegui 39:03, com pace de 07:48. Minha maior preocupação agora é melhorar o tempo e o pace nos 5km, para depois eu começar a correr os 10km. 
Agora, com a quarentena imposta pelo Coronavírus, eu tenho que ficar em casa, treinando com os hiits (treinamento intervalado de alta intensidade) que eu tenho em vídeo. Meu maior desafio é manter o peso que eu perdi até agora (quatro quilos) e ter o condicionamento que conquistei com bastante sacrifício. Quando eu voltar, quero correr 6 km, com a preocupação de melhorar meu pace e meu tempo, já mirando os 10 km.