Eu tenho uma estereotipia na mão esquerda, em que ela deixa meus dedos completamente estáticos e tortos. Antes de saber que eu era autista, eu mostrava minha mão para minha mãe e comentava com ela. Eu não sabia se eram os medicamentos que eu tomo que não faziam isso. Mesmo com a intervenção médica, minha mão esquerda continuava torta e estática.
A maior parte das minhas estereotipias estão na minha mão esquerda. Elas surgem em momentos de estresse ou de sobrecarga sensorial. Raramente, a mão direita tem estereotipia, mas ela tem.
Comecei a correr em fevereiro deste ano, depois de cinco anos parada. E eu voltei a correr neste ano, alcançando os 5 km. Em março, parei de correr, devido à pandemia de COVID-19. E neste período que fiquei sem correr, eu fiz exercícios funcionais que a minha assessoria de corrida mandou. Fiquei de março até maio, realizando os exercícios cardiovasculares, todos os dias, alternando com os exercícios de fortalecimento. Até que chegou a esteira e voltei a correr.
O que aconteceu foi quase que um milagre: a estereotipia da mão esquerda sumiu. Eu não tenho mais ela. A prática dos exercícios funcionais facilitou a diminuição ou até mesmo a supressão da estereotipia. Isso é muito positivo, pois a estereotipia me incomodava muito.
Existem explicações científicas para isso. A partir da leitura que eu fiz de vários estudos, está comprovado que a adoção de atividades físicas traz uma gama de benefícios para os autistas, como por exemplo, a redução de estereotipias, a redução da agressividade, melhoria da comunicação, maior sensibilidade sensorial, entre outros.
A minha estereotipia era incômoda e eu até comentei com minha mãe que ela simplesmente sumiu. Depois que eu comecei a ter uma rotina de exercícios físicos, boa parte das minhas estereotipias foram suprimidas.
O exercício físico ajuda muito a diminuir ou até suprimir com algumas das estereotipias. Eu mesma tive essa experiência. Qualquer exercício é válido: uma caminhada, uma corrida, um alongamento, tudo é válido para melhorar nossa estimulação nervosa. O importante é que a gente se mexa.